Boazinha: Pra quem?

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Não é de hoje que me chama muito atenção pessoas que são intituladas por outras como “- Boazinha”, sim, a pessoa Boazinha é a famosa “Gente Boa”. Sabe aquela pessoa que todo mundo gosta? Que nunca entra em conflito com ninguém? Que dificilmente diz não? Conhece alguém? Se identifica com a descrição? Agora que o leitor sabe de que tipo de pessoa estou falando, deve estar se perguntando, mas o que tem de errado em querer agradar? E eu respondo: Depende do preço que você está disposta a pagar.
Pessoas com essas características são conhecidas como pessoas que se relacionam bem com todo mundo. No entanto, por trás dessa pseudo habilidade social, pode se esconder uma pessoa insegura, com baixa autoestima, que precisa da aprovação de todo mundo. Em alguns casos, pode haver até mesmo questões relacionadas com a identidade, já que a pessoa passa a ser como imagina que esperam que ela seja. Se identifica com tantas coisas e pessoas que se mistura, a ponto de não mais saber o que é seu, e o que é do outro.
A pessoa parece querer ser aceita… E quem não precisa de aceitação? O problema, é que ela acredita que para conseguir isso, necessita ter total aprovação. E qual é o resultado para suas relações?
O resultado disso costuma ser estar rodeada de pessoas, e mesmo assim se sentir sozinha. A pessoa pode sentir que se dedica demais aos outros e não recebe nada em troca. E como pode haver uma troca satisfatória, quando um dos lados tem dificuldades de se aceitar com seus defeitos e qualidades? Como construir relacionamentos profundos, se acreditamos que não pode surgir nada de bom de um conflito?
Tenho notado a partir dos atendimentos de casais, que a pessoa “Boazinha” costuma ter ao lado sua polaridade, ou seja, pessoas que dizem não, com muita facilidade, que possuem limites rígidos. A tendência de quem olha superficialmente para casais com esse perfil é rotular um de “Gente boa” e a outra pessoa de “Chata”, ou algo assim. Mas um olhar mais atento é suficiente para compreendermos que cada um, se beneficia da postura do outro. Se tenho limites muito rígidos e sempre falo não, é muito bom ter ao lado, alguém que não se indispõe comigo, e me permite fazer as coisas do meu jeito. Já se sou a pessoa boazinha da relação, é útil ter alguém que coloca os limites por mim. O encaixe seria perfeito, se ambos conseguissem transitar nesses papéis. Mas para isso, precisariam estar dispostos a pagar o preço. Um teria que abrir mão do controle, e o outro teria que se haver com o fato, de que não irá agradar a todos.
Se o encaixe parece perfeito, qual então é o problema? Quando ficamos sempre no lugar de boazinha, deixamos de ser boazinha com nós mesmos. E quando temos que sempre ficar no lugar de chata, preservamos nossas necessidades, mas podemos perder as trocas afetivas.
A questão a se pensar é que pagamos um preço por cada lugar que escolhemos estar. Querer agradar aos outros sempre, implica em nos desagradar. Por isso, a pergunta é: Pra quem quero ser Boazinha?
Como vimos, características aparentemente inofensivas pode se tornar um grande problema para a pessoa e seus relacionamentos. O primeiro passo para se obter ajuda é identificar se a possuímos.
A psicóloga Harriet B. Braiker em seu livro “A síndrome da boazinha” lista algumas questões:
É muito importante para mim ser amada por todas a pessoas?
Acredito que nada de bom pode vir de um conflito?
Minhas necessidades ficam sempre em segundo lugar?
Observo se faço coisas demais para outros para que não seja rejeitada por outras razões?
Sempre necessito de aprovação?
Me percebo fazendo outros precisarem de mim, acreditando que assim não serei abandonada?
Acho que priorizar minhas necessidades me tornaria alguém egoísta?
Acho difícil fazer críticas, mesmo construtivas para não deixar ninguém chateado?
Fico muito mal quando tenho que dizer não a necessidades e desejos de outros?
Se você respondeu sim, para a maior parte dessas questões, você pode ser uma pessoa “boazinha”. Se percebe que ser assim, está te trazendo prejuízos relacionais e gostaria de experimentar novas formas de se relacionar, procure ajuda psicoterapêutica e aprenda como ser boazinha pra você também.

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4 Comentários

  1. Muito interessante a reflexão. Tenho observado também que as “boazinhas” frequentemente acabam se tornando pessoas ressentidas, “vítimas” eternas de um mundo que não lhes compreende, já que, cedo ou tarde, em acaba ficando claro que “ser boazinha” não é garantia de obter aceitação e/ou aprovação. Terapia cai bem! 😉

  2. Que Maravilha de texto .
    Estava falando exatamente isso com o meu marido , não vale a pena ser sempre boazinha ,pois sempre teremos prejuízos futuro.
    Amei , obrigada!!

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